Espalhar a pólvora para colher o fogo - Processo Criativo


O espetáculo Espalhar a pólvora para colher o fogo de Mônica Siedler, dialoga com dualidades apresentadas entre a mitologia de Narciso e Eco; Dioniso e Ariadne; permeando filosofias de Nietzsche e Deleuze e a literatura representada por autores como Clarice Lispector, Hilda Hilst e Shakespeare.

Depois de diversas pesquisas entre imagens barrocas sobre os mitos apresentados no espetáculo encontrei a imagem de Ariadne na obra Bacchus (Dionysus) and Ariadne, gravado por Pieter Stevens van Gunst. A princesa de Creta, nesta obra, tem seu cabelo enrolado com tranças, que foi o ponto de partida para associar a o fio em que ela desenrola pelo labirinto para ajudar seu amado Teseu. Também associei esse elemento ao rastilho embebido de pólvora para ligar o fogo.
A partir desta estética da técnica clássica da gravura em metal, que foi o principal meio de ilustração e comunicação visual em livros, ocorrida entre o final do século XVI e o início do século XIX, na época de Shakespeare, comecei a pesquisar os demais elementos.

A figura central deste desdobramento de ideia é um mistura da Ariadne com a Ecco, que em sua boca sai a flor de Narciso, ou o eco dos capitéis jônicos ou a faísca da pólvora. Os bordados extraídos em uma enciclopédia fazem uma certa alusão a uma coroa, ou então, uma ideia de chifre; seu corpo é composto pelo violino, um instrumento de corda que compõe a trilha do espetáculo; a chave foi um elemento apresentado no próprio projeto que compõe o figurino como “objeto da modernidade que impõe a solidão do espaço privado”; e o braço parte de uma armadura medieval.

Entre as pesquisas realizadas encontrei a gravura Speculum Urens (O Espelho Ardente), que é uma ilustração científica, histórica e moral sobre as propriedades e os perigos dos espelhos e da luz concentrada. O espelho, um reflexo do Narciso aqui espalha o fogo, e então o projeto começa a se desdobrar com a parceria do Aleph Ozuas.
Com os elementos encontrados no texto e suas interpretações, exploramos os espaços distribuídos no folder para construir uma linha narrativa abstrata, tendo o labirinto como ponto de partida e seus desdobramentos e cruzamentos como percurso. Essa narrativa conduz o olhar por caminhos que se entrelaçam até chegar a um beco sem saída, criando uma sensação de aprisionamento. Nesse percurso, seres mitológicos, como o cavalo de Tróia e o Minotauro, surgem como agentes de destruição, misturando-se aos elementos do corpo de Ariadne e a outras referências visuais.
Flora, seu de florum cvltvra lib. IV / [Giovanni Battista Ferrari]. Giovanni Battista Ferrari Narcissus indicus Liliaceus diluto colore purpurascens de Flora, seu de florum cultura (1646)
Flora, seu de florum cvltvra lib. IV / [Giovanni Battista Ferrari].
Giovanni Battista Ferrari, 1646
Livro ilustrado com gravuras em cobre , entre outros, por Anna Maria Vaiani , possivelmente a primeira gravadora em cobre. O livro trata de projetos de jardins e fornece descrições e cultivo de flores.

Esta peça foi gravada por Paulus Pontius a partir dos estudos e desenhos anatômicos deixados por Petrus Paulus Rubens. Ela foi publicada em Antuérpia pelo editor Alexander Voet por volta de 1640 ou 1652, logo após a morte do mestre pintor.

"Jônico. Capitéis variados, retirados de diversos edifícios antigos", Giovanni Battista Montano (1534–1621).
Cerca de 1636 (impressão póstuma editada por seus discípulos).
Computador Aleph Ozuas Mônica e Pati
Conheça as ilustrações no meu portfólio.


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