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Espalhar a pólvora para colher o fogo - Processo Criativo

Foto do escritor: Pati Peccin
Pati Peccin
há 2 horas
3 min de leitura
Criação visual para o espetáculo *Espalhar a pólvora para colher o fogo*, de Mônica Siedler. A partir de referências mitológicas, filosóficas e literárias, a pesquisa visual explora os mitos de Ariadne, Narciso e Eco por meio de gravuras barrocas, colagens e elementos simbólicos. O resultado é uma narrativa gráfica inspirada no labirinto, seus cruzamentos e desdobramentos.
Echo and Narcissus, John William Waterhouse. Imagem usada no espetáculo

O espetáculo Espalhar a pólvora para colher o fogo de Mônica Siedler, dialoga com dualidades apresentadas entre a mitologia de Narciso e Eco; Dioniso e Ariadne; permeando filosofias de Nietzsche e Deleuze e a literatura representada por autores como Clarice Lispector, Hilda Hilst e Shakespeare.


Gravura em cinza de Baco e Ariadne nus, com um cupido, sob céu nublado; texto Bacchus & Ariadne na base.
Bacchus (Dionysus) and Ariadne, gravado por Pieter Stevens van Guns

Depois de diversas pesquisas entre imagens barrocas sobre os mitos apresentados no espetáculo encontrei a imagem de Ariadne na obra Bacchus (Dionysus) and Ariadne, gravado por Pieter Stevens van Gunst. A princesa de Creta, nesta obra, tem seu cabelo enrolado com tranças, que foi o ponto de partida para associar a o fio em que ela desenrola pelo labirinto para ajudar seu amado Teseu. Também associei esse elemento ao rastilho embebido de pólvora para ligar o fogo.


A partir desta estética da técnica clássica da gravura em metal, que foi o principal meio de ilustração e comunicação visual em livros, ocorrida entre o final do século XVI e o início do século XIX, na época de Shakespeare, comecei a pesquisar os demais elementos.


Mãos apontam folhas com ilustrações e livros de arte sobre mesa de vidro; capas de mitologia e clepsidra ao fundo.

A figura central deste desdobramento de ideia é um mistura da Ariadne com a Ecco, que em sua boca sai a flor de Narciso, ou o eco dos capitéis jônicos ou a faísca da pólvora. Os bordados extraídos em uma enciclopédia fazem uma certa alusão a uma coroa, ou então, uma ideia de chifre; seu corpo é composto pelo violino, um instrumento de corda que compõe a trilha do espetáculo; a chave foi um elemento apresentado no próprio projeto que compõe o figurino como “objeto da modernidade que impõe a solidão do espaço privado”; e o braço parte de uma armadura medieval.


Gravura em preto e branco de um espelho côncavo ardente, com figuras ao redor, navio e fogo; texto latino SPECVLVM VRENS.
Theodoor Galle, Speculum Urens, in Jan David’s Duodecim specula (Antwerp: Officina Plantiniana, 1610). Amsterdam, Rijksmuseum

Entre as pesquisas realizadas encontrei a gravura Speculum Urens (O Espelho Ardente), que é uma ilustração científica, histórica e moral sobre as propriedades e os perigos dos espelhos e da luz concentrada. O espelho, um reflexo do Narciso aqui espalha o fogo, e então o projeto começa a se desdobrar com a parceria do Aleph Ozuas.



Com os elementos encontrados no texto e suas interpretações, exploramos os espaços distribuídos no folder para construir uma linha narrativa abstrata, tendo o labirinto como ponto de partida e seus desdobramentos e cruzamentos como percurso. Essa narrativa conduz o olhar por caminhos que se entrelaçam até chegar a um beco sem saída, criando uma sensação de aprisionamento. Nesse percurso, seres mitológicos, como o cavalo de Tróia e o Minotauro, surgem como agentes de destruição, misturando-se aos elementos do corpo de Ariadne e a outras referências visuais.


  • Flora, seu de florum cvltvra lib. IV / [Giovanni Battista Ferrari]. Giovanni Battista Ferrari
  • Narcissus indicus Liliaceus diluto colore purpurascens de Flora, seu de florum cultura (1646)

Flora, seu de florum cvltvra lib. IV / [Giovanni Battista Ferrari].

Giovanni Battista Ferrari, 1646


Livro ilustrado com gravuras em cobre , entre outros, por Anna Maria Vaiani , possivelmente a primeira gravadora em cobre. O livro trata de projetos de jardins e fornece descrições e cultivo de flores. 


Gravura em preto e branco com cabeça de touro, coruja e pano com texto PETRVS PAVLVS RVBBENS DELINEAVIT; fundo de pedra e moedas.

Esta peça foi gravada por Paulus Pontius a partir dos estudos e desenhos anatômicos deixados por Petrus Paulus Rubens. Ela foi publicada em Antuérpia pelo editor Alexander Voet por volta de 1640 ou 1652, logo após a morte do mestre pintor.


Página gravada com vários desenhos de capitéis clássicos decorados; texto TÔNICO no topo e número 20, em tons sépia.
"IONICO. Capitelli uarij, cauati da diuersi Edifitij antichi"

"Jônico. Capitéis variados, retirados de diversos edifícios antigos", Giovanni Battista Montano (1534–1621).

Cerca de 1636 (impressão póstuma editada por seus discípulos).


  • Computador Aleph Ozuas
  • Mônica e Pati

Conheça as ilustrações no meu portfólio.

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